Deus ouve e responde!


Você já fez alguma oração pedindo algo para Deus e percebeu que Ele respondeu com o exato oposto daquilo que você havia pedido? Eu já. E eu quero compartilhar essa história com você hoje, querida leitora.

Quero dizer, primeiro, que este não é um texto de protesto ou de reclamação. Pelo contrário. É um texto de louvor a Deus, que é surpreendente na maneira como trabalha em meu coração.

Desde que chegamos em São Paulo, eu vi a minha filha Sarah experimentar pequenos e preciosos exemplos de orações respondidas.

Uma vez, ela me pediu uma casinha de Poli. Nós não tinhamos o dinheiro, mas eu sempre procuro aproveitar esses momentos para ensinar que ela pode pedir ao Senhor qualquer coisa segundo a vontade dEle. Se for agradável ao Senhor conceder aquele presente, Ele o fará. E ela pediu. Eu não sei o quanto ela acreditou que Deus o faria, mas o fato é que ela ganhou uma casa de Poli novinha em folha de um casal da nossa igreja. Era um grande presente, embalado em um lindo embrulho. Foi lindo ver o sorriso dela ao abrir o pacote, e mais ainda ouvi-la dizer: "Mamãe, eu orei pedindo para Deus me dar uma casinha de Poli, e Ele me deu! Ele ouve mesmo!" 

Isso aconteceu depois com outros brinquedos, e em todas as vezes ela reconheceu que Deus ouviu e atendeu!

Sim, Deus ouve! Às vezes, somos surpreendidos ao ver que Ele deu exatamente aquilo que esperávamos.

 Algumas vezes, Ele nos surpreende nos dando além daquilo que pedimos - essa eu também já experimentei, quando pedi um filho, e Deus me deu quatro! Bendito seja Deus! 

Às vezes, contudo, somos surpreendidos ao clamar com bastante fervor por algo que consideramos muito bom, e Ele simples e soberanamente, diz não. 

E ainda, algumas vezes, Ele responde - só que, bem.. digamos que não com aquilo que pedimos exatamente... Mas com o completo oposto.

Neste meu caso, na minha oração, usei mais ou menos estas palavras: "Senhor, eu gostaria de casar com alguém a quem eu possa ajudar!". Que bela oração, não é mesmo? O que tem de errado com ela? Um leitor desatento talvez não tenha conseguido perceber, mas se você também, assim como eu, é perito(a) em driblar o pecado do coração com palavras bonitas, você percebeu a pegadinha. 

A parte obviamente boa da oração é que eu, como mulher, de fato, precisaria ajudar meu marido, fosse ele quem fosse. Deus me projetou para a função de auxiliar meu marido, e eu já tinha por certo de assumir meu papel como auxiliadora dele, antes mesmo de conhecê-lo. 

A parte não tão óbvia assim é: Por que orar por um marido a quem eu pudesse ajudar? Por acaso, seria possível casar com algum homem a quem eu não pudesse ajudar? O que eu estava, realmente, querendo dizer? 

É duro reconhecer, mas eu explico: eu queria um marido que reconhecesse o quão boa, o quão maravilhosa, o quão indispensável eu era. Eu queria um marido que pudesse me dizer diariamente: eu não vivo sem você! Eu queria um marido que olhasse para mim e dissesse: uau! Você é muito melhor nisso do que eu! Você é exatamente a pessoa que eu precisava em minha vida, com todos os seus talentos e habilidades!

É engraçado pensar nisso hoje! Na caminhada cristã, muitas vezes, olho pra trás e me pergunto como eu ousava professar o nome de Cristo como Senhor e, ainda assim, ser tão cheia de mim mesma. (A Jemima do futuro olhará para o passado e lembrará da Jemima de hoje e se perguntará a mesma coisa...)

Pois bem. Fato é que Deus me deu o contrário do que pedi. Deus me deu um marido que fosse capaz de me ajudar a sair daquele estado de ensimesmamento - eu inventei essa palavra. 

Eu era muito jovem e imatura demais para perceber essa realidade em nossos primeiros anos de casados. Eu só via o quão difícil, inflexível e teimoso era o meu marido, e era completamente cega para enxergar o quão orgulhosa, irascível e obstinada eu era.

Posso lembrar - com muita gratidão ao meu marido - de muitas das vezes que ele foi até mim com um tom sereno e conciliador me chamar de volta ao nosso juramento: "Não casamos para viver assim, amor. Casamos para a vida toda. Não se afaste de mim. Deixe eu te abraçar. Perdão... Não se resolve problemas ficando longe um do outro. Vamos resolver juntos."

Eu era incapaz de pedir perdão. Eu era incapaz de enxergar meu pecado, mas Deus usou incontáveis vezes a vida do meu esposo para me trazer de volta ao Caminho. 

A cada ano que passava, eu percebia mais e mais que eu era incapaz de mudar o meu esposo. Não adiantava falar, chorar, gritar, implorar, ou usar terceiros para falarem em meu lugar. Meu esposo não se encaixava no meu molde de marido perfeito. Tudo parecia fora do meu plano, mas a verdade é que Deus não tinha sequer rascunhado essa ideia no planejamento dEle.

Deus tinha um plano diferente pra mim, e Ele foi descortinando Suas intenções pouco a pouco. Eu fico grata ao Senhor porque Ele me fez perceber - e ainda tem feito - o que estava, de fato, acontecendo. Ele estava (e está) me moldando, me transformando, e me fazendo à imagem do Seu Filho.

Ao longo desses 10 anos, vejo o quanto Deus foi quebrando meu orgulho e meu senso de justiça própria e me fazendo perceber que eu não tinha sido colocada na vida de Samuel porque eu era uma super mulher com uma alma elevada capaz de ser uma excelente ajudadora para o meu super marido pastor. 

Eu não fui escolhida por Deus para este lugar porque havia algo de muito especial em mim. Pelo contrário. Deus queria que eu enxergasse onde eu realmente me encontrava. Eu era aquela que precisava de ajuda. E eu era não apenas a pior dona de casa do mundo, sem habilidades domésticas e sem senso de produtividade. Eu era também uma esposa mesquinha, controladora, mimada e cheia de orgulho, sem a menor consciência de que estava afundada no lamaçal do pecado e desesperadamente necessitada da intervenção divina.

É melhor servir do que ser servido, o Senhor nos ensina. E sabe por quê? Porque quem é servido é o necessitado, é aquele que carece de algo.

Quando eu percebi que eu não estava na posição de quem serve, mas de quem precisava ser servida, eu enxerguei a minha miserabilidade. Eu não tinha como auxiliar meu marido, porque eu não tinha nada nas mãos! Eu precisa de cura! Eu precisa de ajuda! Eu precisava me arrepender, receber uma vida nova e vestes novas do Senhor, e o alimento, e a saúde espiritual, para, só então, na força dEle, estar apta a auxiliar. 

Esse não foi - e não tem sido! - um caminho fácil. Mas, embora tenha sido particularmente humilhante perceber que eu não era nada e não tinha nada a oferecer, foi - e tem sido! - libertador descobrir que isso não significa que a minha vida acabou - pelo contrário! A semente, primeiro, morre, para que possa brotar e crescer. 

Quando eu finalmente compreendi que eu precisava morrer pra mim mesma e receber uma nova vida, a de Cristo, não mais baseada em meus inúteis esforços para ser boa mas nos méritos reais e imutáveis de Cristo, então, suspirei aliviada e bendisse o Deus da minha vida!

Afinal, tenho descoberto que o casamento não é sobre o quanto sou capaz de influenciar meu marido ou sobre o quanto ele é capaz de me satisfazer, mas sobre o quanto nós dois temos sido transformados por Deus a medida que permanecemos dizendo sim. 

Eu me alegro em dizer que não somente eu mas o meu marido também tem sido transformado à imagem de Cristo com o passar do tempo e Deus tem trabalhado em nossa santificação de maneira muito visível.

 É bom ver que o auxílio que me cabe oferecer não depende das minhas habilidades inatas ou da minha inteligência ou das minhas emoções. É bom perceber que Deus, de fato, é quem opera em nós o querer e o realizar, e que, do acordar ao deitar, vivemos alegremente na dependência dEle.

Que o nosso casamento esteja sempre firmado na Rocha inabalável, que é Cristo,  e ainda, que saibamos agradecer e bendizer Seu nome pelas orações respondidas ao contrário.


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