Oi, esta sou eu.


E esta é mais uma tentativa de colocar pra fora  e organizar o tanto de sentimentos, memórias e pensamentos emaranhados que bagunçam minha cabeça - mas, ao mesmo tempo, colorem, refrescam e revigoram minha alma.

Quero falar sobre estes dias que vivo, sobre o caos da minha vida e sobre estas impressões que permeiam o meu cotidiano. Embora eu quase sempre pareça afogada em afazeres e trabalho que não acaba e cansaço que não se cura, estes são os melhores anos da minha vida. 

Eu queria poder revisitá-los em sua intensidade no futuro sempre que eu quisesse, sempre que a saudade não coubesse mais no peito. Isso não vai acontecer, eu sei. Muita coisa ficará no esquecimento e não passará de momentos fugazes. Mas aquilo que eu conseguir registrar certamente me ajudará, tanto agora como no futuro, para reconhecer as incontáveis bênçãos destes eletrizantes e inesquecíveis anos da minha vida.

Então, para começar, quero relembrar uma imagem que, vez ou outra, me passa em pensamento. Quando eu ainda era solteira e imaginava a minha tão esperada vida de casada, eu me imaginava passando a ferro uma camisa do meu futuro marido (que eu não sabia ainda que seria meu Samuel) e sentia uma alegria profunda ao me imaginar naquela cena. Outras vezes, me imaginava costurando um botão da camisa dele, e, nossa! Era o auge das minhas expectativas de feminilidade. Era tudo o que eu sonhava. Eu queria ser uma boa esposa para o meu marido, e sonhar em estar casada e servir a um homem voluntariamente me dava a sensação de estar, finalmente, onde eu sonhei estar a minha vida inteira.

Devo dizer que, bem, a realidade da vida de casada trouxe algumas surpresas desagradáveis para aquela jovem sonhadora que eu era: não demorou muito para eu perceber que...

1) eu não sabia passar roupa!

2) eu não sabia costurar um botão!

3) eu era a pior esposa e dona de casa que eu já tinha visto.

O sonho de ser uma boa esposa, com vestidos esvoaçantes, cabelos perfumados e laços vintage, cuidando de uma linda casinha de princesa e amando um príncipe plenamente feliz e satisfeito foi manchado pela triste realidade de uma jovem desajeitada, desorganizada, despreparada para a vida real de nutrir, cuidar e cultivar um lar de verdade.

Eu amo as histórias clássicas das princesas e acho que almejar o verdadeiro amor e as virtudes femininas do casamento e da maternidade me fez muito bem. 

A parte ruim é que eu não sabia que a vida real exigiria mais do que boa vontade e boa intenção. O sonho não se tornaria realidade sem treino, trabalho duro e uma boa dose de sacrifício.

Nem só de magia se faz um conto de fadas, não é mesmo? Mais do que um ideal, é preciso ter os pés no chão e as mangas arregaçadas para o trabalho.

Eu poderia dizer - como já disse outras vezes - que a culpa foi da minha mãe, que não me treinou adequadamente. Mas a maturidade me fez perceber que a minha própria desobediência infantil e juvenil trouxe consequências devastadoras para a minha vida de casada.

Lembro-me dos arranjos psicológicos que eu fazia em casa quando a minha mãe me mandava lavar louças ou arrumar minha própria cama, e de como eu escorregava sorrateiramente usando desculpas de que precisava estudar ou que iria depois que terminasse sei lá o quê que eu estivesse fazendo. Essa terrível habilidade que o coração humano tem de escolher o prazer e fugir do dever traz muito mais sofrimento a médio e longo prazo do que se possa supor quando se é ainda muito jovem.

Não me considero a pessoa mais experiente aos 37 anos, mas já vivi algumas décadas e sei que eu sou terrivelmente assim. Penso que, se algo eu pudesse mudar na forma como fui criada, seria ter sido mais corrigida e disciplinada. Sou extremamente grata pelos pais que Deus me deu, que mesmo com suas falhas e pecados, e mesmo eu merecendo muito mais castigos e repreensões do que recebi, recebi deles o tesouro mais valioso do mundo: a pregação do evangelho.

E foi este evangelho que mudou tudo. Não apenas mudou o meu futuro de condenação eterna para um futuro de vida eterna, mas também vem mudando dia a dia todos os aspectos secundários da minha existência.

Aquela jovem cheia de sonhos vem sendo transformada diariamente pela verdade - a verdade que liberta.

Dez anos se passaram desde o dia em que eu disse sim ao meu marido, e muitas águas já rolaram desde então. Recebemos de Deus quatro filhos, embora o Senhor tenha levado um para junto de Si. Os dias hoje são muito mais agitados do que os primeiros anos, embora eu considere incomparavelmente melhores. O trabalho triplicou, mas as habilidades se desenvolveram e a maturidade tem nos ajudado a enxergar melhor algumas coisas também. 

E é isso: é sobre esse meu pequeno mundo que eu quero escrever. Quem sabe aqui, além de ajudar a mim mesma, eu possa até mesmo ajudar alguma outra jovem esposa e mãe a enfrentar os desafios diários da vida no lar ao compartilhar a minha própria experiência.

Que o Senhor, acima de tudo, seja glorificado no decorrer da minha história de vida e ao final dela. Que cada experiência que eu viva seja para moldar meu coração à imagem de Cristo e me preparar para a vida eterna com Ele, e que, de alguma forma, se Ele assim me agraciar, sirva também de ensino às minhas irmãs na fé.

Espero voltar em breve com um novo texto e mais experiências compartilhadas! Até lá!

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