A pior mãe do mundo!

Certa vez, ouvi um sermão em que o ministro da Palavra dizia que, quando somos provados por Deus, Deus não tem intenção de nos aprovar - porque já fomos reprovados. O intuito da provação é nos lapidar à imagem de Cristo. Ele disse também que as provações são como o fogo. Quando passamos por elas, clamamos: "Senhor, abaixa a temperatura!". Mas o Senhor a aumenta ainda mais, porque é assim que se depura o ouro. 

Isso fez muito sentido pra mim. Não uma nem duas foram as vezes em que eu passei por um momento difícil, e quando achei que tivéssemos superado, para, finalmente, atravessar um tempo tranquilo, o Senhor acrescentou um obstáculo a mais. 

Quando a minha filha mais velha tinha 1 ano e 11 meses, eu estava tremendo no banheiro do nosso pequeno apartamento de 54 m2, com um teste de gravidez nas mãos. Eu não sabia o que pensar direito. Eu estava muito nervosa. Ao mesmo tempo em que meu coração estava transbordando de alegria, uma fonte de desespero e tristeza jorrou de algum lugar do meu coração. 

"Agora somos 4.", escrevi com um batom vermelho no espelho do banheiro. Deitei na cama tremendo, e chamei meu esposo, fingindo precisar de algo do banheiro, para que ele entrasse e visse a mensagem. (Claro que ele precisou que eu desse uma ajudinha para que ele prestasse atenção na minha mensagem...). Quando ele se aproximou de mim para me abraçar e me dizer o quanto estava feliz com a notícia, eu desabei em um choro incontido. 

Eu estava feliz! Eu queria mais filhos! Eu estava desejando mês após mês a chegada de mais um bebezinho na nossa família. Mas, de repente, eu me dei conta de que eu era limitada demais para receber mais um bebê em meus braços.

Eu não dominava os afazeres da casa, sentia-me constantemente incompetente para deixar a casa em ordem, e ainda mais por morarmos em um lugar tão pequeno. Eu odiava visitas inesperadas. Eu odiava aquela sensação de imaginar que todas as minhas amigas mamães eram rigorosamente disciplinadas, organizadas e felizes, e que seus bebês dormiam a noite inteira em seus bercinhos bem decorados. 

Naqueles dias, eu percebi que Deus havia acrescentado um obstáculo ao meu objetivo de ter a vida dos meus sonhos. Eu não era apenas uma dona de casa ruim, e uma esposa inapta. Eu era também uma mãe inadequada.

Embora eu não tenha procurado um psiquiatra na época, e não tenha recebido o diagnóstico de um profissional, eu não tenho dúvidas de que eu estava em depressão. Depressão pós-parto, pode-se dizer. Eu estava péssima. Eu não queria sair de casa, não tinha vontade de levantar da cama e não queria cuidar das minhas necessidades mais básicas.

Eu estava mergulhada em culpa e em um sentimento profundo de inutilidade, incapacidade e inadequação. Eu tinha vergonha de me encontrar com outras mulheres da minha idade e ouvi-las conversando sobre a nova técnica para tirar manchas de roupas ou o prazer de dormir com a pia brilhando. Eu tinha vontade de desaparecer quando ouvia conversas do tipo: "meu filho come sozinho" ou "ele é tão obediente!" ou qualquer coisa que, definitivamente, não acontecia na minha casa. 

Eu corri desesperadamente para alcançar os padrões das mães que eu admirava. Gastava toda a minha energia tentando ser a mãe perfeita, mas, ao final do dia, me deparava com uma pia cheia de louças, um cesto cheio de roupas, uma rotina das mais imperfeitas e uma bebê que ainda precisava mamar pra adormecer e acordava durante a noite. 

Como eu poderia receber mais um bebezinho nos meus braços? Claramente, isso não iria dar certo! Eu era incompetente para a missão. Eu estava à beira da loucura.

Isso poderia mesmo acontecer, sendo bem sincera. A corrida insana pela auto justificação é de enlouquecer até os melhores de nós. É claro que eu não enxergava isso nas outras mamães, mas a vida de todas as mães é marcada pelo pecado. Ainda aquelas que parecem ter uma vida perfeita não conseguem êxito em nenhum ponto sequer de seu trabalho pela força de seu próprio braço. Mas a verdade é que, quando se está em depressão ou mesmo quando o nosso foco está totalmente voltado ao nosso próprio desempenho, somos incapazes de ver as coisas como elas realmente são. Tudo o que eu conseguia ver era que todas conseguiam, menos eu. 

Eu era inadequada - e ainda sou. Eu era incompetente - e ainda sou. Eu era incapaz - e ainda sou.

Mas Deus, minha querida leitora, ao contrário das pessoas, não olhava pra mim com olhar de reprovação quando eu terminava o dia cansada e culpada com a uma montanha de louças se equilibrando sobre a pia. Deus não me condenava pelos brinquedos espalhados. Ele não me olhava atravessado quando eu deixava minha pequena bebê assistindo desenho para poder deitar e descansar um pouco. Deus não se surpreendia com a minha incompetência. Pelo contrário, Ele sabia que eu era pequena demais, desajeitada demais, limitada demais para fazer aquelas tarefas, que, na época, me pareciam complexas demais.

Ao contrário dos olhares condenatórios (ou mesmo de pena, que também eram muito comuns), o Senhor não tinha intenção de me reprovar, nem de me rotular "culpada". Ele tinha intenção de me lapidar. Ele estava aumentando o fogo, para derreter meu coração. Ele queria que eu tomasse a forma do Seu Filho, não a forma da mãe perfeita que eu idealizei. Quando o trabalho é meu, os méritos são meus, certo? Deus estava me mostrando que eu não precisava carregar o fardo pesado de ter que fazer tudo sozinha para alcançar mérito de quem quer que fosse. Como diz a velha canção: "É meu, somente meu, todo o trabalho. E o teu trabalho é descansar em mim."

Eu fechei as janelas e as portas do mundo exterior. Eu precisava ouvir nada menos do que a voz do meu Senhor. Eu ajoelhei banhada em lágrimas e pude ouvi-lo dizer, serenamente: "Eu estou com você, todos os dias, até a consumação do século."

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